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Introdução à Psicologia: história, escolas e objecto de estudo



Nota:
Este artigo é o primeiro de uma série sobre Introdução à Psicologia, baseado no manual de Psicologia Geral. Este material tem como objectivo fornecer uma visão abrangente sobre a psicologia enquanto ciência, desde as suas origens filosóficas até às escolas que moldaram o seu desenvolvimento.

O que é a Psicologia?

A psicologia é a ciência que estuda os processos mentais (sentimentos, pensamentos, razão) e o comportamento humano. Deriva-se das palavras gregas: psiquê que significa "alma" e logia que significa "estudo de ou ciência". A Psicologia trata de estudar o comportamento humano nas suas diversas manifestações (observáveis e não observáveis).

Objecto de estudo: o comportamento humano

Estudar o comportamento humano não é tarefa fácil. A psicologia é tão complexa quanto o próprio homem, sobretudo quando o objecto de estudo é o próprio homem, capaz de se transformar em sujeito da pesquisa. O comportamento humano é difícil de ser compreendido pela natureza da sua realidade, bio-psico-sociocultural, exigindo o cuidado de se ter em conta essa complexa realidade humana e laços interdisciplinares com outras ciências.

Cardoso, Frois & Fachada (1993) consideram como objectivo final da Psicologia a explicação das condutas em função dos factores ou variáveis que as condicionam ou determinam.

A Psicologia como Ciência

Para compreender a psicologia é necessário compreender sua história, ligada a cada momento histórico, às exigências do conhecimento da humanidade e aos novos desafios colocados pela realidade. "A psicologia se desenvolveu a partir da Biologia e da Filosofia, com objectivo de se tornar uma ciência que descreve e explica como pensamos, sentimos e agimos." (MAYERS, 1999, p. 1). Numa primeira manifestação, a Psicologia foi uma disciplina descritiva, tratando de descrever as manifestações comportamentais sem explicar suas causas.

A Psicologia entre os Gregos

Filósofos pré-socráticos – preocupam-se em definir a relação do Homem com o mundo através da percepção – oposição entre idealistas (a ideia forma o mundo) e materialistas (a matéria já dada para a percepção). Sócrates (496-399 a.C.) – a Psicologia ganha consistência: o que distingue o Homem do animal é a razão, permitindo sobrepor-se aos instintos. Platão (427-347 a.C.) – procura o "lugar" para a razão na cabeça, onde se encontra a alma, concebendo a alma separada do corpo (dualismo). Aristóteles – preocupou-se com temas relacionados com aprendizagem, memória, emoção, percepção e personalidade.

O nascimento da Psicologia Científica (1879)

A Psicologia como Ciência independente nasceu em 1879, "data em que o alemão Wilhelm Wundt estabeleceu em Lípsia, o primeiro laboratório de Psicologia Experimental" (CAPARRÓS, 1999, p.10). O que caracteriza uma ciência é um campo delimitado, o emprego de métodos e técnicas na sua investigação e a possibilidade de verificação objectiva.

Psicologia do Senso Comum vs Psicologia Científica

Cada um de nós possui conhecimentos da psicologia do senso comum, entendido como o "conjunto de opiniões geralmente aceites pelos membros de um grupo social que se adquire de modo espontâneo, sem esforço e não intencionalmente" (CARDOSO, FROIS & FACHADA, 1993). A Psicologia científica procura fundamentar de forma objectiva, através de pesquisas ajustadas à natureza de cada situação do ser humano.

Escolas que deram origem às teorias psicológicas

a) Estruturalismo – Wilhelm Wundt

Wundt, pai da Psicologia, montou o primeiro laboratório de psicologia experimental (1879). Interessado no estudo da experiência consciente, procurava analisar a consciência nos mais ínfimos componentes. Utilizou a técnica de introspecção, treinando sujeitos a relatarem seus sentimentos e sensações.

b) Gestalt – "O todo é maior que a soma das partes"

Max Wertheimer, seu expoente principal, considera que Wundt perdeu de vista a realidade da experiência humana ao analisá-la em partes. "O todo é maior do que a soma das partes" (Wertheimer, apud Sprintall & Sprintall, 2001). É preciso estudar a totalidade, a configuração inteira, a Gestalt.

c) Behaviorismo – John B. Watson

Os behavioristas atacam Wundt pelo uso da introspecção. Watson considera o verdadeiro objecto de estudo o comportamento (behavior), observável e mensurável. Aliou-se a Ivan Pavlov para demonstrar o reflexo condicionado como método científico.

d) Psicanálise – Sigmund Freud

A visão psicanalítica ampliou a compreensão do campo de estudo da psicologia; sua principal inovação é o mundo inconsciente. Freud usou a hipnose e depois a associação livre, onde o paciente relaxa e fala qualquer coisa que lhe aflore à mente. Freud chamou sua teoria de psicanálise, comparando a mente a um iceberg – a maior parte está oculta sob a superfície da consciência.


📌 Fontes utilizadas neste artigo:
Cardoso, Frois & Fachada (1993) – Rumos da Psicologia
Mayers (1999) – Introdução à Psicologia Geral
Caparrós (1999) – História da Psicologia
Sprintall & Sprintall (2000; 2001) – Psicologia Educacional


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