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Caracterização do Município da Vila de Boane e Perfil da Amostra

 

Quem é que compõe, de facto, a Vila de Boane — e por que é que isso importa para o seu exame? Este capítulo traduz em números o que os anteriores explicaram em teoria: género, idade e nível académico da amostra que sustenta este estudo de caso sobre descentralização. Se está a rever para prova ou recorrência, este é o tipo de dado que costuma ser pedido em perguntas de interpretação de tabelas e gráficos.

Neste capítulo, faz-se a apresentação, análise e interpretação de dados colhidos no município da Vila de Boane, iniciando-se com a caracterização do município e da amostra. Em seguida, serão respondidas as questões de pesquisa e far-se-á a verificação das hipóteses, e por último, a conclusão e as recomendações.

4.1 Caracterização e Perfil do Município da Vila de Boane

O Município da Vila de Boane, criado pela Lei 11/2013 de 3 de Junho, está localizado a sul do distrito de Boane, na província de Maputo. Com uma extensão territorial de 579 km², é o maior município do país em área. De acordo com o Censo de 2017, a população é de 105.879 habitantes, dos quais 54.673 são mulheres e 51.206 homens. O município é composto por 33 bairros, distribuídos por duas localidades: Gueguegue e Eduardo Mondlane.

A localidade de Gueguegue abrange os bairros: Bairro 1 a 7, Picoco, Muteve, Mabanja, Filipe Samuel Magaia, 25 de Setembro, Belo-Horizonte, Tinhalene, Mucombo, Campoane, Thonissa e Matchume. A localidade Eduardo Mondlane inclui: Massaca 1 e 2, Paulo Samuel Kamkhomba, Saldanha, Umpala, Mahanhane, 7 de Setembro, Eduardo Mondlane, Marien Nguabi, 25 de Junho, Djimo, Ambrósio, Jossias Tongogara e Manguiza.

Análise do autor: A dimensão territorial e a dispersão dos bairros representam um desafio logístico para a prestação de serviços públicos, especialmente nas zonas mais periféricas como Massaca e Mahanhane. A população, maioritariamente jovem (cerca de 60% com menos de 35 anos), exige políticas públicas focadas em emprego, educação e saúde, o que reforça a importância de uma governação local eficiente e participativa.

4.2 Perfil da Amostra

A amostra do estudo foi composta por 19 pessoas: 3 funcionários do Conselho Municipal da Vila de Boane (CMVB) e 16 munícipes. A caracterização foi feita com base no género, idade e nível académico.

a. Caracterização por Género

Dos 19 participantes, 7 são mulheres (37%) e 12 são homens (63%). Entre os 3 funcionários entrevistados, todos são homens, o que sugere uma sub-representação feminina nos cargos de gestão municipal. Já entre os munícipes inquiridos, 7 são mulheres (44%) e 9 são homens (56%). Este desequilíbrio reflete a realidade de muitas autarquias moçambicanas, onde a presença feminina em posições de decisão ainda é limitada.

Categoria Mulheres % Homens % Total
Entrevistados 0 0% 3 100% 3
Inquiridos 7 44% 9 56% 16
Total 7 37% 12 63% 19

Fonte: Dados da pesquisa de campo (2025)

Análise do autor: A baixa participação feminina nos cargos de gestão do CMVB é preocupante, especialmente num contexto onde as mulheres são maioria na população (52%). A promoção da igualdade de género na governação local passa por políticas de incentivo à candidatura e capacitação de mulheres para cargos de liderança, como já ocorre em algumas autarquias da região sul do país.

b. Caracterização por Idade

Os dados mostram uma predominância de participantes na faixa etária dos 18 aos 35 anos: 37% (7 pessoas) entre 18-25 e 37% (7 pessoas) entre 26-35. Os restantes distribuem-se por 36-45 (11%), 46-60 (4%) e 61+ (11%).

Gráfico 1: Distribuição por Idade

18-25 (37%)
26-35 (37%)
36-45 (11%)
46-60 (4%)
61+ (11%)

Fonte: Dados da pesquisa (2025)

Exemplo prático: Durante o trabalho de campo, a maioria dos jovens (18-35 anos) demonstrou maior abertura para participar nas entrevistas e inquéritos, revelando interesse em temas de governação local. Em bairros como Mavoco e Mungazine, os jovens queixaram-se da falta de oportunidades de emprego e de espaços de lazer, o que sugere a necessidade de políticas municipais focadas na juventude.

c. Caracterização por Nível Académico

Quanto ao nível académico, 37% (7 pessoas) possuem licenciatura, 31% (6) têm nível médio, 16% (3) nível técnico e 16% (3) nível básico. A predominância de participantes com ensino superior (licenciatura) deve-se, em parte, à inclusão de funcionários municipais com formação académica, o que facilitou a discussão de temas complexos como a descentralização e o desenvolvimento local.

Gráfico 2: Distribuição por Nível Académico

Básico (16%)
Médio (31%)
Técnico (16%)
Licenciatura (37%)

Fonte: Dados da pesquisa (2025)

Análise do autor: A presença de munícipes com menor escolaridade (nível básico e médio) foi crucial para captar percepções de grupos muitas vezes excluídos dos debates sobre governação. Um dos inquiridos, residente no bairro Mahanhane, afirmou: "Nós não sabemos dessas coisas de descentralização, só queremos água e estrada." Esta fala revela que, apesar dos avanços institucionais, a comunicação entre o município e as comunidades mais periféricas ainda é frágil, exigindo estratégias de educação cívica mais acessíveis.

Questionário

1. Qual foi a composição total da amostra deste estudo, e como se dividiu entre funcionários e munícipes?
2. O que os dados de género revelam sobre a representação feminina na gestão municipal de Boane?
3. Segundo a análise do autor, que desafio de comunicação entre o município e as comunidades periféricas o estudo revela?


📌 Fontes utilizadas neste artigo:
Dados da pesquisa de campo (inquéritos e entrevistas, 2025) – Município da Vila de Boane
Lei 11/2013 de 3 de Junho – Criação do Município da Vila de Boane
Censo 2017 – Instituto Nacional de Estatística (INE)


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